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29 dezembro 2017

O Pântano das Borboletas - Federico Axat

Federico Axat
416 páginas
Editora: Tordesilhas

Deparei-me com tantas resenhas parecidas pela interwebs que decidi fazer algo diferente. Vou 'bater um papo" sobre essa história e, mais pra frente, destrincharei com alguns spoilers.


O Pântano das Borboletas é o primeiro livo do argentino Federico Axat publicado no Brasil, que possui também, publicado pela Verus, a obra Mate o Próximo. A história gira em torno dos amigos Sam e Billy, e da mais nova componente do grupo, Miranda. Os três formam uma sólida amizade durante o verão de Carnival Falls, uma cidade fictícia, explorando bosques e adentrando mansões com galerias secretas nos anos 80.

A história é narrada por Sam, de doze anos, e foca bastante em sua vida durante a infância. Quando menor,  Sam perdeu a mãe num acidente de carro misterioso narrado no início do livro. A Granja dos Carrol é onde vive  com diversos irmãs e irmãos, todos acolhidos por Amanda e Randall. Á medida que cresce, Sam descobre mais sobre seu passado e sobretudo sobre Phillip Banks, um dito lunático que tenta provar a existência de extraterrestres. Mais do que isso, Banks associa o acidente de Christina Jackson a um caso de abdução. 


Embora pareça no início da leitura que Axat vai se aprofundar mais no tema alienígenas, o foco da história está longe de ser este. A amizade, crescimento e a proximidade entre as crianças é a trama principal. O enredo é dividido em quatro partes e pode-se dizer que uma complementa a outra, mas, em geral, a primeira e a terceira parte possui conflitos diferentes criados pelo autor, em que os três terão que unir forças e desvendar mistérios.

Lendo várias críticas através da Amazon, Skoob, bem como várias resenhas de livros, percebi que o leitor dá voz ao livro. Na contracapa ficamos sabendo que a história possui um tom lírico e, inclusive, vi resenhas afirmando o mesmo. No entanto, não notei esse lirismo em nenhuma parte do livro, exceto, talvez, pela nostalgia que a obra desperta e o último capítulo, que revela um mistério. Outra coisa que me surpreendeu: um usuário resenhou que O Pântano das Borboletas não deixa pontas soltas, mas posso atestar que o mistério ficou em aberto e, mais do que isso, aquele final deixa muitas perguntas!


Borboleta-monarca. Ela é uma das borboletas que
 circulam o pântano em que o trio visita.


Um outro usuário criticou que a história possuía vários personagens e que isso o confundiu... De fato, um ou outro reaparece do nada na história e demora alguns minutos para lembrar a origem daquela pessoa, no entanto, pouco mais de cinco personagens têm destaque especial. Entre eles, Collete e Joseph Meyer onde Sam passa algumas tardes lendo na casa para o sr. Meyer, e Orson, um menino da granja que se faz de bonzinho e se revela um antagonista sem escrúpulos. Não vi nenhuma dificuldade nesse quesito.

Inclusive, Collete Meyer é uma das melhores personagens, embora não seja tão desenvolvida e aprofundada na história. Ela possui uma sala cheia de caixinhas de música colecionáveis, entre elas uma de circo que aparece em várias passagens do livro. Mais do que isso, Collete possui uma biblioteca repleta de livros e incentiva a leitura a Sam. Tentei achar uma caixa de música na internet que se assemelhasse à descrição do livro, mas o mais próximo que encontrei está aqui: 



Por último, uma outra resenha negativa dizia que o livro se perdeu em passado e presente. Axat vai de fato desbravar o futuro de nossos personagens quando adultos, dedicando vários capítulos, antes de voltar para a trama original. Pra mim, tudo o que ele fez foi não seguir uma ordem cronológica, sem deixar nada confuso. Mais do que isso, ele chega a destacar o ano em que a história de passa. 

Não quero dizer que o livro é perfeito, apesar de ter amado a história, sobretudo o final. Uma das coisas que me incomodou foi o vocabulário vasto dos personagens, que ainda são jovens demais. Deu um toque de inverossimilhança na história; aos poucos me acostumei com isso. Sem contar que, sem dar spoilers, há cenas de violência bem chocantes, por isso não recomendo para menores.




Obrigada por ter ficado até aqui, gostei da sua presença. Mas agora trago um espaço cheio de spoilers pra galera que quiser dividir experiências de leitura. Vou destrinchar uma das partes mais importantes do livro, então, a menos que tenha lido, é melhor sair... Entendido?

Federico Axat, a mente por trás do livro.

A revelação final é, na minha opinião, algo impossível de prever. Senti, depois de analisar cada pormenor da história, que de fato o autor havia nos dado pistas. Havia brincado com a nossa percepção sem que nos déssemos conta. Isso, meu caro, é uma experiência única que abre espaço para uma discussão de gênero enorme, mais do que uma discussão sobre orientação sexual, eu diria. 

Sam é, na verdade, uma garota. Como? Por quê? Axat nos fez de bobos e fez com que repensássemos toda a história, todas as atitudes dos personagens. A genialidade desse livro é que nós supomos desde o início que Sam é um garoto. Em nenhum momento ela diz "eu sou um garoto, eu sou um menino...", muito menos usa adjetivos com "o" ou "a". Sim, isso não incrível? Se você retomar algumas partes do livro, perceberá isso. 

Por que pensamos isso, então? Eu tenho uma teoria, e ela se chama heteronormatividade. Quando Sam diz estar apaixonada por Miranda, uma garota, a primeira suposição é de que se trata de um garoto. Sem contar que o fato de Sam, já no primeiro capítulo, andar de bicicleta, escalar árvores e bisbilhotar através de binóculos são ações normalmente associadas a meninos, visão sempre reafirmada através de filmes, sobretudo dos anos 80. 

"Nunca voltei a ter amigos como o que tive aos doze ano. Por acaso isso é possível?" Esse é o epígrafe que inicia o livro, do filme Conta Comigo, e um bom exemplo de clássico dos anos 80.

Ao descobrimos que Sam possui um melhor amigo, o Billy, novamente temos essa visão estigmatizada. Eu lembrei dos meninos de Stranger Things, percorrendo as ruas com suas bicicletas e resolvendo mistérios. Mais uma vez, ações relacionadas a garotos. Essa visão inicial de que Billy e Sam são dois meninos brincando teve um lado positivo, no entanto: não houve aquela visão deturpada que normalmente o leitor tem, quase de forma inconsciente, de que os melhores amigos vão acabar tendo um relacionamento amoroso. Eu, pelo menos, consegui pela primeira vez enxergar uma amizade do modo que ela é: uma amizade.

Toda a trama concernente aos extraterrestres talvez tenha um papel metafórico dentro da história, pois Sam, como lésbica, sente-se de alguma forma como se fosse de outro planeta. Todas as meninas ao seu redor se comportam de forma diferente e seus sentimentos são conflitantes. Uma ótima metáfora, não?

Vamos às pistas, meus caros. Elas não estarão em ordem, e talvez faltem muitas, mas colocarei aqui as que me recordo melhor. Algumas são mais sutis, outras, quase escancaradas. Comentem!

"Disse que o vestido era muito bonito, mas inadequado para o bosque; e que se ela quisesse fazer parte do grupo, deveria usar jeans como eu." Billy, tentando readequar Miranda, fala, através de um discurso indireto, que ela deveria usar jeans como os de Sam. Ora, por que não como os dele? Porque Sam é uma garota, por isso ele a usou como um modelo para que Miranda seguisse.

Por que Miranda acredita que Billy escreveu o poema a ela, e não Sam? Logo no início do livro, quando Samantha visita a casa da amiga, Miranda diz que possui algo para lhe revelar. No jardim de inverno, ela mostra a correntinha e o poema que ganhara. Quando pergunta pra Sam se ela tinha escrito, as duas ficam constrangidas e depois Miranda se corrige, considerando a hipótese um absurdo. Ela pensou que a Sam havia escrito o poema por encomenda de Billy, e sequer cogitou a possibilidade da própria Sam tê-lo feito. Outra questão que se abre nessa cena: por que Miranda revela o presente para Sam, e não para Billy? Porque ambas são garotas. Miranda pensou que podia confiar em sua amiga para revelar algo tão pessoal. Inclusive, isso se sucede em diversas partes do livro, como quando Miranda revela as brigas entre seus pais.

Por que Sam possui tanta vergonha de contar seu segredo a Billy? Em um primeiro olhar, a conclusão que tiramos de suas ações é de que Sam é um garoto tímido demais e, talvez, com baixa autoestima. São vários os trechos que ela revela não poder contar a ninguém o que sente, e que não tinha coragem para se abrir. Obviamente, seu constrangimento era revelar sua homossexualidade, algo que provavelmente nem ela entendia muito bem na época.

Teve outros pontos em que o autor simplesmente brincou com a lógica do leitor. Um trecho, por exemplo, Billy cogita a possibilidade de que a pessoa idealizadora da chantagem com o livro Lolita era alguém que estava interessado em Sam. Ora, se Sam é um garoto, pensei, talvez Mathilda esteja apaixonada por ele e deseje lhe chantagear de alguma forma. Mas acontece que Billy estava pensando em Orson, não em Mathilda. 

Isso acontece em várias partes, como quando Sam tenta retirar a madeira da casinha de cachorro para construir a casa na árvore, e Billy a interrompe dizendo: "Isso é trabalho para homem. Deixa que eu faço". Inicialmente, a impressão que fica é que Billy esta simplesmente gozando e inferiorizando a "masculinidade" de Sam, por assim dizer. Sem contar que, quando os dois estão na clareira lendo o jornal e Mark e seu bando aparecem, ele sugere que Sam e Billy são namorados. Vê como a percepção das cenas muda drasticamente?

Um grupo de garotos em busca do melhor amigo. Stranger Things.

A cena com Mathilda impedindo a entrada de Sam na granja foi quase completamente deturpada na minha cabeça. Em um primeiro momento, eu jurei que Sam estava se sentido humilhado porque ele era um garoto e Mathilda conseguia superá-lo em força. Depois, Mathilda ainda diz: "Isso são seios, Sam... Olhe bem porque acho que você não sabe o que é isto." (Um breve comentário: as falas não foram transcritas, escrevi o que me lembro). Mathilda estava, então, zoando o fato de Sam não ter peitos. 

Isso explica também por que Katie se sente aberta para falar que Orson não para de encarar seus peitos na frente de Sam, e também por que Claire, em pleno anos 80, espera que um garoto a ajude na cozinha ("Eu preciso ir aos Meyer"). Eu pensei seriamente que todos os meninos tinham que fazer os trabalhos domésticos dentro da granja, mas isso provavelmente não é verdade. Outro detalhe, Colette descarta a possibilidade da foto pornográfica dentro de Lolita pertencer a Sam com muita convicção - se ela fosse um garoto, talvez a percepção não fosse a mesma.

Na segunda parte, Sam explica como foi o seu relacionamento com a primeira namorada, Heather. Ela descreve que em Nova Iorque as coisas eram diferentes e as festas eram mais ecléticas, e que ainda não havia se relacionado com nenhuma pessoa. Posteriormente, chega a narrar a história de Heather, que havia sido obrigada a ficar com um rapaz por causa do pai e que depois decidiu enfrentá-lo, pois estava muito infeliz. Eu pensei que ela estava infeliz com o casamento arranjado, mas o fato era que ela estava infeliz por não poder assumir sua sexualidade. 

Em uma da últimas cenas na casa da árvore, Miranda questiona Sam: "Sam, você gosta de mim?". A pergunta a pega desprevenida. Ela chora ao ser descoberta, constrangida, e Miranda a consola: "Nós nunca mais precisamos falar disso, se não quiser". A vergonha de um primeiro amor? Não, a vergonha de que alguém mais soubesse seu segredo. Samantha era lésbica. Quando os personagens crescem, o pensamento que fica é: "Por que Sam não tenta algo com ela? Por que Billy? Por que Miranda sequer cogita Sam?". Porque Miranda é hétero.

Foto de Magdanela Berny.


O último detalhe revelador, e talvez o que mais nos faça rir é... a capa do livro. E ela também é culpada pela mentalidade de que Sam é um garoto: a boina cobrindo os cabelos esconde o fato de que, na verdade, a foto é de uma menina. Isso é fruto da hábil mão da fotógrafa Magdalena Berny. Não sei se alguém conhece o filme Tomboy, mas trata-se da história de uma menina que consegue se passar por um menino, e a mensagem que essa capa passa é a mesma que vi no filme. 

O mais incrível é perceber que essas pessoas não parecem "mais femininas" ou "mais masculinas" na minha visão, atingindo um equilíbrio que nos faz pensar:

Afinal, é uma garota ou um garoto? 


Tomboy. Filme francês imperdível para quem gosta de histórias
 que falam sobre gênero.






04 dezembro 2016

That '70s Show



Autores: Mark Brazill, Bonnie Turner e Terry Turner.
Produção: 1998 - 2006
Oito temporadas, 200 episódios

Comédia



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A série se passa na década de 70 e traz vários elementos da época, desde sistema patriarcal (o homem sustenta a família), roupas, programas de televisão, aparelhos domésticos antigos, etc. Vários episódios descontroem o machismo daqueles tempos e abordam situações sérias com humor.

Segue na linha sitcom (do inglês "situação engraçada", de comédia), da mesma maneira que outros seriados famosos como Friends, The Big Bang Theory, How I Met Your Mother e ICarly.



Se você gosta de seriados como Skins e Freaks and Geeks, vai gostar deste seriado. Primeiramente, porque sempre estão fazendo o sagrado "círculo" quando vão fumar maconha, além de trazer vários dramas adolescentes. Mas não se engane: as histórias paralelas são divertidas também, pois os pais do Eric são, além de estereótipos da época, os personagens mais engraçados. A risada da Kitty e o famoso jargão do Red vão te fazer rir toda vez.






O grupo é composto por: Fez, Hyde, Eric, Donna, Jackie e Michael, tendo mais foco em Eric, já que estão sempre reunidos no porão de sua casa.

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Donna Pinciotti

Personagem feminista, forte e independente, Donna sempre teve vontade de viajar para conhecer o mundo. É vizinha do Eric desde a infância e os dois são muito amigos. O maior foco de seus problemas são os pais, que estão sempre brigando.

Reconhece a atriz? Laura Prepon, atuou na série October Road e Orange is The New Black.
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Eric Forman

Eric é um adolescente magro e desajeitado. Mimado pela mãe e constantemente criticado pelo pai, um dos únicos momentos que ele tem é quando se reuni no porão de sua casa com os amigos.

O personagem é interpretado pelo ator Topher Grace, que fez O Homem Aranha 3 e atuou em Predadores, filme de ficção científica e horror.
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Steven Hyde

Um dos mais apaixonantes personagens, Hyde é aquele cara rebelde com um passado traumático e que não fala muito. Eric é seu melhor amigo. Sempre tem um comentário maldoso e faz piadas em momentos inapropriados.

O ator chama-se Danny Masterson e interpreta no seriado O Rancho.


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Jackie Burkhardt
É a típica menina mimada e tagarela, Jackie namora Kelso, outro personagem da série. Ironicamente, ela é casada com o ator na vida real. Evolui muito durante a série e deixa muitas vezes de ser uma garota metida.
É quase impossível não ter ouvido falar de Mila Kunis, uma atriz muita famosa que interpretou em Amizade Colorida, Cisne Negro, O Ursinho Ted e em Perfeita é a Mãe (Bad moms).

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Michael Kelso
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Michael é um personagem imaturo que sempre tem algo idiota pra falar. Divertido, sempre inventa brincadeiras perigosas que não acabam terminando muito bem. Namora Jackie e sempre fala aos seus amigos que vai terminar com ela, embora nunca faça.                                                                                     
Ashton Kutcher fez filmes conhecidos como Efeito Borboleta e Jogo de Amor em Las Vegas (passou ao menos trezentas vezes na Sessão da Tarde).




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Fez
O maior mistério da série é seu nome e o lugar de onde veio, sendo um estrangeiro com sotaque regularmente apontado por seus amigos. É chamado de "Fez" ou "FES" (uma sigla que, em inglês, significa ForeignExchange Student - estudante de intercâmbio). Sempre está atrás de mulheres e distribuindo cantadas, embora não seja muito popular. 

O personagem é interpretado pelo ator Wilmer Valderrama






23 setembro 2016

Os meninos da rua Paulo

Drama, comédia

Autor: Ferenc Molnár
256 páginas






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Um clássico da literatura húngara, Os meninos da rua Paulo passa uma mensagem linda de amizade e imaginação. A Sociedade do Betume, um grupo de meninos pré-adolescentes/crianças, se encontra regularmente no grund, um terreno baldio onde todas as suas fantasias ganham realidade. Mas o grupo dos camisas-vermelha, sem lugar para suas brincadeiras, exige o terreno, declarando guerra.

Desse modo, o general Boka toma as devidas providências com relação ao assunto, determinado a manter o local no qual fundaram sua Sociedade . Com diálogos muito criativos que nos fazem entrar na brincadeira, o autor não somente nos conta uma história como também deixa a entender que tudo foi real.



O livro é curto, rápido de ler, com uma escrita fácil, raras consultas ao dicionário. Segue uma linha temporal de 1880, mas , mesmo se tratando de um período diferente, não deixa de ser nostálgico ver um grupo de amigos tão unidos. A história ganhou diversas adaptações de teatro e cinema, tem  mais de um milhão de leitores pelo mundo e mais de 500 reimpressões somente aqui no Brasil;

Uma homenagem aos meninos foi erguida na cidade de Budapeste,  onde uma escultura dos amigos, esculpida em bronze por Péter Szanyl,  pode ser vista em frente à uma escola. Ela mostra um grupo jogando bolas de gude e, ao lado, dois integrantes dos camisas-vermelhas encostados ao lado.


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Outro ponto interessante de se comentar é que, curiosamente, o livro foi traduzida para o português por um húngaro, Paulo Rónai, um professor, tradutor e revisor que se instalou aqui no Brasil por causa da Segunda Guerra Mundial. Falava duas outras línguas: francês e latim!

Leia sem medo! E aproveite a leitura!



10 setembro 2016

Boyhood - Da Infância à Juventude

Drama
Diretor: Richard Linklater
2hrs45min

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Mason é um menino de seis anos cujos pais se divorciaram. Por isso, ele e sua irmã são obrigados a se mudar e se adaptar constantemente. Sua mãe tenta garantir o melhor futuro para os dois enquanto eles crescem.

O filme foi gravado num período de 12 anos, demonstrando as mudanças dos personagens, suas conquistas, suas vidas de modo emocionante, mas com definitivamente nada de espetacular ou exagerado. Demonstra a vida como ela é, com surpresas indesejadas e desejadas, mudanças, crescimento, amadurecimento e a caminha até um rumo incerto.






Este filme emociona de modo diferente. Não possui elementos tristes ou dramáticos, mas você consegue observar a transição dos personagens, suas mudanças físicas ao longo dos anos e se apega às suas vidas de modo inesperado. Acompanhar alguém crescer, mesmo que seja com um plano de fundo fictício - porém, com uma história que poderia ser verdadeira-. é uma experiência incomum compilada em apenas um filme.

A expressão "o tempo passa voando" ganha uma conotação ainda mais verdadeira durante as quase três horas, sem diálogos complexos ou filosofias. Apenas o fato de ver o filme faz com que consiga visualizar o tempo de um modo diferente e o sentido do ser de uma forma diferente.

Quando terminei de vê-lo, a única coisa que consegui pensar foi "Esse filme faz sentido", como se tivesse encontrado a resposta para o universo, para o tempo, para a vida. Mesmo que ele não tenha me prendido até o último momento, mesmo que eu tenha me irritado e ficado curiosa em algumas partes, mesmo que não tenha um grande clímax... Foi muito legal participar dessa jornada.



09 agosto 2016

Akagami no Shirayuki-hime (Anime)

Romance, shoujo, medieval
Autor (mangá): Sorata Akizuki
Duas temporadas, 24 episódios + OVA


Shirayuki cresceu com os avós no reino de Tanbarun e continuou vivendo lá após suas mortes. Com seus longos cabelos vermelhos, sempre na loja de ervas a qual trabalhava, e isso não passou despercebido pelo mimado príncipe Raji.

Depois de ter conhecimento dos incomuns cachos ruivos da menina, Raji ordena que ela seja sua concubina. Mas Shirayuki não está nem um pouco disposta a se curvar diante das exigências e toma uma difícil decisão: fugir.

Depois de abandonar sua cidade natal, ela conhece Zen, que a auxilia e a convida para viver no reino de Clarines. Lá, Shirayuki possui a oportunidade de recomeçar sua vida, criar um lar e de exercer sua profissão como herborista.





Akagami No Shirayukihime é um anime que decepciona com alguns clichês nos primeiros episódios, mas vai se desenrolando de uma forma simples e engenhosa nos demais. As situações criadas como antagonismo são muito bem planejadas depois dessa situação inicial, criativas e com soluções fáceis de compreender - um dos pontos altos.

A protagonista anseia em encontrar seu lugar no mundo, o que a torna uma personagem destemida e incomum em shoujos. Ela pode ser doce, inocente e otimista como qualquer outra mocinha, mas possui ambições muito fortes e faz sua parte para alcançá-las com seu próprio esforço e capacidade.



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O romance tem seus vários momentos na história misturado com elementos medievais (intrigas, lutas - nada muito forte -, dramas da corte, etc.), um mocinho com um passado dramático e um outro possível par romântico; de fato, nada muito inovador, mas é demonstrado com leveza e sinceridade, mesmo que idealizado em vários aspectos. As amizades não são tão bem construídas - na minha percepção -, no entanto, os coadjuvantes não decepcionam.

A segunda temporada é particularmente melhor que a primeira, pois a protagonista é desenvolvida melhor e a ação não desaponta, sem contar que já há um apego aos personagens. Vale a pena assistir se você gosta de romances medievais!












26 julho 2016

Os Oito Odiados

Faroeste, mistério
Roteiro e direção: Quentin Tarantino
2hrs47min



John Ruth, um caçador de recompensas, é conhecido por manter seus alvos vivos e enviá-los à forca ao invés de matá-los com um simples tiro, o que lhe rendeu a alcunha de O Carrasco. Durante uma viagem em direção à Red Rox, para onde está levando a prisioneira Daisy Domergue, uma forte nevasca se inicia e obriga-os a parar num pequeno armazém. 

No entanto, há outras pessoas estabelecidas no local em busca de conforto antes de recomeçar a viagem à Red Rox. Isso causa desconfiança do Major Marquis Warren, um dos passageiros da diligência de John Ruth. Quem são aqueles homens? E por que eles parecem tão suspeitos?





Nenhum personagem parece ser protagonista desta história. Cada um tem seu momento e são muito bem apresentados por meio das conversações - através delas, Tanrantino conseguiu definir quem desempenha qual papel papel na história-, mas, no final das contas, o Major, interpretado por Samuel L. Jackson, teve um maior destaque na trama. 

Os diálogos são densos, compridos e vão exigir uma maior atenção de sua parte. Se você não gosta desse tipo de filme, que possui bastante troca de palavras e ideias, então nem ouse se aventurar em Os Oito Odiados. Além disso, o falatório, com aquele jeito típico de faroeste, estende-se bastante - por sinal, muito bem interpretado pelos atores. Foi a melhor parte na minha opinião, apesar de esgotante! 


Portanto, nada muito chocante acontece nos primeiros momentos do filme. Quando você começar a ficar tonto, dê uma pausa, coma alguma coisa e continue assistir. Quem conhece o Tarantino sabe que as coisas não permanecem nessa monotonia para sempre; o filme eventualmente fica violento, recomendado para maiores de dezoito, do tipo que vai te chocar bastante e te surpreender.

Vale a pena conferir, mas leve em conta tudo o que eu disse nessa resenha para avaliar se você vai gostar do filme. Foram muitas opiniões contraditórias, muita decepção por causa da expectativa e críticas dizendo se tratar do pior filme do diretor! Discordo totalmente. 







22 julho 2016

Honobono Log

Autor original: Naka Fukamachi
10 episódios - 2min
Romance, Slice of Life



Baseado em ilustrações que começaram no Twitter e, posteriormente, foram compiladas em um livro, Hanobono Log consegue ser inesperadamente tocante e singular em seus dois minutos. Ele retrata situações cotiadianas entre casais e familiares e é impossível não se indentificar ou, ao menos, ansiar por relações demonstradas de forma tão pura e singela. Fiquei encantada com o que vi.

 É uma animação simples, cada capítulo uma história diferente, sem plano de fundo para ambientar, mas tudo isso o torna ainda mais comovente. Não se engane! Ele não expõe situações tristes, porém, as relações são expressas de modo tão verdadeiro que torna impossível segurar um sorriso ao reconhecer um momento ou ficar com uma tristeza nostálgica característicos do Slice of life.
 
 
 


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Assista o anime nos Super Animes!





É isso aí, gente! Espero que tenham gostado do post e que assistam ao menos um episódio do anime :D